Empresas

Portugal é um dos quatro países do mundo que regista maior grau de desadequação entre asnecessidades das empresas em matéria de qualificações profissionais e os perfisdisponíveis no mercado. As conclusões resultam da edição anual do Global SkillsIndex, elaborado pela consultora Hays em colaboração com o Oxford Economics, e para Carlos Silva, diretor da Best Partner, podem em parte justificar-se com acrescente onda de emigração qualificada que afetou o país nos últimos anos.

"A função de RH para ter impacto, tem de servir diretamente o negócio e para isso tem de comunicar na mesma linguagem", clarifica o estudo que aponta o conhecimento do negócio (business acumen) e a avaliação crítica como as competências que geram maior impacto na fidelização e engagement dos profissionais face à empresa. O relatório esta semana divulgado realça que "é muito importante que na sua
formação e ao longo do seu percurso, os profissionais desenvolvam competências que lhes permitam interpretar informação do negócio, identificar quais as métricas que devem monitorizar, antecipar o impacto das decisões na empresa e avaliar o retorno dos investimentos realizados (ROI)". Só desta forma os líderes de recursos humanos poderão ter uma voz mais ativa no desenho e implementação das estratégias organizacionais.

Neste inquérito, a (SHRH) inquiriu 74 profissionais de recursos humanos e 576 colaboradores com responsabilidades de gestão, em 17
empresas de distintos setores de atividade. A avaliação realizada permitiu identificar nove competências essenciais aos profissionais de recursos humanos:
Conhecimento técnico de gestão de recursos humanos; gestão de relacionamentos; consultoria; liderança organizacional; comunicação; capacidade de gerir a diferença; valores éticos; conhecimento do negócio e avaliação crítica. De um profissional de recursos humanos espera-se que seja exímio na capacidade de aplicar os princípios e práticas de gestão de recursos humanos, de modo a contribuir para o sucesso da sua organização, mas também que tenha capacidade para gerir o relacionamento com os colaboradores, a diversidade cultural e geográfica da equipa, dar aconselhamento e orientação aos diferentes stakeholders, em contextos e situações distintos, capacidade para criar fluxos eficientes de informação, entre inúmeras outras competências.

O estudo analisou a relação entre estas nove competências e um conjunto de variáveis organizacionais - como sejam, a satisfação com o trabalho, o compromisso com a organização, a intenção de abandonar a empresa ou a perceção do desempenho da organização (ao nível do produto e mercado das práticas de recursos humanos) - e concluiu que "o impacto das competências de RH é mais notório no desempenho percecionado da organização e das práticas de RH". Ou seja, a perceção que as pessoas têm sobre o desempenho da empresa tende a ser
mais positivo nas empresas em que a avaliação das competências de RH também é mais favorável. Uma constatação que reforça a ideia de que uma boa estratégia de recursos humanos, assegurada por um líder de excelência pode fazer a diferença no grau de compromisso dos colaboradores com o negócio e a empresa.  




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